segunda-feira, 24 de agosto de 2009

pais postiços



Pais postiços
Conviver com os novos namorados da mãe ou do pai não é a coisa mais fácil do mundo. Mas acredite: a melhor saída é fazer a linha "paz e amor", em vez de perder tempo - e sofrer muito! - com picuinhas desnecessárias.

Por Rita trevisan



A separação dos pais é um baque e tanto. Porém, quando um dos dois – ou os dois! – volta a namorar, a situação complica. Há quem fique revoltada e não aceite a decisão dos mais velhos. Outras meninas até levam na boa, mas, no fundo, morrem de ciúme, e ficam meio inseguras, com pensamentos do tipo: “será que a relação com a minha mãe ou pai vai mudar, agora que há uma terceira pessoa na jogada?” Se você também está vivendo uma situação dessas, nada melhor do que conferir as dicas de quem entende do babado: meninas que se dão superbem com seus padrastos ou madrastas. Elas nos ajudaram a responder as dúvidas mais comuns sobre o assunto. Confira!


“Me sinto meio esquisita perto da minha madrasta. Como faço para acabar com esse climão?”
Você observa a namorada do seu pai e, a cada dia, tem mais certeza de que devem habitar planetas diferentes? Mas será que esse seu olhar pra cima da fofa não anda contaminado por uma boa dose de ciúme? Em alguns casos, um pouco de disposição e tempo são o suficiente para garantir que você consiga encarar a “outra” como uma amiga. Duvida? “Eu também achava estranho que meu pai tivesse outra mulher, no começo. Me sentia meio desconfortável perto dela. Mas tentava ser educada e não criar caso. Com o tempo, a gente foi se conhecendo melhor, e hoje nos divertimos juntas: saímos para fazer compras, vamos ao salão... tudo isso se tornou muito natural”, conta a leitora Maria Eduarda H. Nunes, 12 anos, de Paranaguá, PR. “tentar conversar com a sua madrasta ou padrasto ajuda a perceber o que vocês têm em comum. E esse é o primeiro passo para se dar bem com alguém. Mesmo que não pareça, eles podem gostar de muita coisa que você também gosta”, completa Larissa M. C. Passos Moreira, 14 anos, de São Paulo, SP. Ela tem uma “boa-drasta” (como gosta de dizer) há três anos. Nicole Stakowian, 13 anos, de Paranaguá, PR, também não curtia o padrasto, até conhecê-lo melhor. “Não fui com a cara dele, no começo. Mas foi só a gente começar a conversar que eu mudei de ideia. Hoje ele é um paizão!”


Família complicada
Carol mora com a mãe, que tem um namorado. O pai dela vive com sua madastra em outra cidade, e tem uma enteada, a Bia, da idade da Carol. O namorado da mãe da Carol também tem uma filha, a Júlia, que não gosta muito da madastra. Essas três garotas bem que podiam existir, de tão reais que são suas histórias. No entanto, elas não passam de personagens da série Tudo Novo De Novo, da Globo. As meninas – respectivamente interpretadas pelas atrizes Daniela Piepszyk, Marina Ruy Barbosa e Polliana Aleixo – sempre ficam no meio das discussões de seus pais. E, claro, aprendem muito com essas histórias malucas.




“Meu padrasto é muito diferente do meu pai. Não concordo com as coisas que ele faz. Como posso viver com alguém que eu não suporto, na mesma casa?”
Pra começo de conversa: não vale ficar comparando seu pai com o padrasto, ou a madrasta com a mãe. Primeiro, porque são pessoas diferentes e, depois, porque os pais foram pessoas que você aprendeu a amar, o que levou um certo tempo. Com um desconhecido, esse processo ainda está muito no início. Então, não se sinta na obrigação de gostar dele logo de cara, o que seria impossível. Mas permita-se, ao menos, conhecê-lo melhor. “É difícil conviver com os novos namorados dos pais. Mas uma coisa que ajuda é tentar olhar os pontos positivos, e não só os negativos. Todo mundo tem coisas boas, a gente é que às vezes não consegue perceber”, garante Aliny Barbão, 14 anos, Paranavaí, PR.



Detesto a minha madrasta. Como posso gostar de uma mulher que acabou com o casamento dos meus pais?”
Pense bem: até mesmo quando uma terceira pessoa é o pivô da separação, é bem provável que a presença dela tenha sido só a gota d’água numa história de amor mal resolvida. Depois da tristeza inicial, o mais comum é as coisas se acalmarem. A Larissa dá a dica: “A verdade é que os pais terminam quando a relação não está mais dando certo, não faz muita diferença se têm, ou não, outra pessoa. É errado botar toda a culpa no padrasto ou na madrasta”, defende. “Acho que é legal a gente sempre tentar se colocar no lugar dos nossos pais. Do mesmo jeito que queremos que as nossas escolhas sejam respeitadas, temos que aceitar as decisões deles”, complementa Beatriz Porto Correia,16 anos, de São Paulo, SP. Ela vem colocando a teoria em prática há 11 anos, desde que seu pai resolveu se casar novamente.


“Meu pai não me trata mais como antes, desde que começou a namorar. Acho que me dá menos atenção.”
É natural que você sinta ciúme no início, porém tente não encarar a chegada da madrasta como uma perda, mas como um ganho. Agora, em vez de ter só um pai e uma mãe, você terá mais alguém com quem contar. Foi o que fez Aliny. “Fiquei com muito medo quando rolou a separação e, logo depois, meu pai se casou de novo. Mas o melhor jeito que eu achei para resolver isso foi conversando com ele. Acho importante falar dos nossos sentimentos, não ficar guardando e sofrendo sozinha”, ensina. Com a separação dos pais, a mãe mudou de cidade, e ela e o irmão mais novo foram morar com a madrasta e a filha dela. No começo, a adaptação foi bem difícil. Mas ela garante que o pior passou: “Hoje me dou muito bem com eles. O melhor a fazer é não pensar só em você. Meus pais estão melhores agora.”


“Meu pai não curte o meu padrasto, e eu me sinto dividida. Se fico com um, parece que estou traindo a confiança do outro.”
Em primeiro lugar, esqueça essa ideia de que você precisa tomar partido. Se o seu padrasto é um cara legal com você, não há motivos para comprar a briga do seu pai, os dois que se entendam, se quiserem. Nicole passou por essa situação complicada e conta como deu a volta por cima: "Meu pai começou a jogar na cara que eu gostava mais do meu padrasto e isso deu uma balançada na nossa relação. Mas eu não mudei meu jeito de ser, porque considero meu padrasto um segundo pai, mesmo. Respeito os dois, mas continuo na minha." Para Larissa, o segredo é não entrar nas picuinhas que possam existir entre os ex e os novos namorados dos pais. “Não fico falando da minha madrasta pra minha mãe, nem vice-versa. Assim, todo mundo vive bem”, garante.


“Ele não é meu pai e quer mandar em mim! Pode??!!”
Por mais que você não goste, o fato de morar com o padrasto ou a madrasta faz com que eles tenham, sim, certa autoridade sobre você. “Eu nem sempre concordo com as coisas que meu padrasto faz, mas aceito como se fosse meu pai. O fato de ele estar ajudando a me criar, a cuidar de mim no dia a dia, dá a ele o direito de me falar não. Fico brava e triste, às vezes, mas entendo que ele faz isso para o meu bem, como um pai faria”, conta Marina Campos, 15 anos, de São Paulo, SP. “Aqui em casa, minha mãe e meu padrasto decidem tudo juntos. Então, prefiro conversar a ficar criando mais conflitos. Sei que brigar não vai resolver. Agora eu não moro mais com o meu pai, e sim com o meu padrasto. O único jeito é aceitar que as coisas mudaram”, completa Nicole. Agora, se o padrasto ou madrasta estiver mesmo pegando pesado, é legal conversar com a sua mãe ou pai, com muita calma, ok?

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